De novo, quem perde é a floresta

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou nesta terça-feira, 2 de julho, o plano de expansão da capacidade da hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia. O reservatório, que tem 350 quilômetros quadrados, ficará com 430 quilômetros quadrados e será elevado em 0,8 metros.

“A princípio, essa diferença de menos de um metro de altura pode parecer pouco, mas devemos lembrar que estamos falando da bacia amazônica, a maior planície alagável do mundo, e esta ‘pequena’ diferença representa na prática um acréscimo de 22,85% no reservatório da usina”, afirma Kenzo Jucá, da campanha Amazônia do Greenpeace.

O plano aprovado visa a permitir a instalação de seis novas turbinas na hidrelétrica, elevando a potência instalada em cerca 420 MW. A ideia é tornar o empreendimento mais rentável para o consórcio, porém, isso terá o custo do alagamento de uma área adicional de 7.153 hectares, sendo 6.558 de floresta primária. A medida afetará ainda uma Unidade de Conservação no entorno do lago, que perderá mais 38 hectares.

No ano passado, o governo já reduziu, por meio da Medida Provisória 558, os limites de sete Unidades de Conservação para viabilizar a construção de hidrelétricas em seu entorno. Agora, pretende colocar ainda mais floresta embaixo d’água.

Também não é a primeira vez que há alterações no complexo do rio Madeira. Desde que venceram os leilões, os consórcios responsáveis pelos empreendimentos de Santo Antônio e Jirau tentam fazer mudanças para aumentar sua capacidade de geração de energia. Enquanto os dois grupos brigam para ver quem terá mais lucro, os impactos ambientais e sociais já detectados por causa da construção atual ainda não foram mitigados.

“Mais uma vez o governo federal muda as regras com o jogo em andamento, abrindo um precedente temerário para a construção de novas hidrelétricas na bacia amazônica. Quando as empresas participaram do leilão, elas já sabiam quais eram as condições do empreendimento. Quem sai perdendo, mais uma vez, é o meio ambiente, que terá uma importante fatia de floresta primária destruída devido à busca das grandes empresas envolvidas no processo por margens ainda maiores de lucro”, completa Kenzo Jucá.

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