Arquivo do mês: junho 2014

Mudar prática agrícola pode baixar temperatura, diz estudo

Se a Europa adotar uma prática agrícola que se abstenha de arar a terra após a colheita, as temperaturas locais poderiam cair até 2ºC, de acordo com estudo publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (“PNAS”).

A razão está na cor do solo: a terra não arada é mais clara e reflete a luz do sol, tornando a área mais fresca do que a superfície escura, explicaram.
Os campos que são arados também ficam secos mais rápido. Ao contrário, a terra não arada permite que a umidade evapore mais lentamente, contribuindo para seu resfriamento.

Os efeitos poderiam ser notados, particularmente, em episódios de ondas de calor. “Em dias com ondas de calor, o efeito refrescante local obtido com a prática de não arar é da ordem de 2ºC”, destacou o estudo, conduzido por cientistas da Suíça e da França.

Os pesquisadores descobriram que as sobras não aradas de campos de trigo ajudavam a refletir 30% da luz recebida, em comparação com 20% de campos arados. Modelos de computador demonstraram que a diferença poderia se traduzir em uma margem de 2ºC em dias quentes, embora os efeitos possam ser amplamente locais.
“Em outras palavras, se todos os fazendeiros franceses parassem de arar seus campos no verão, o impacto nas temperaturas seria insignificante na Alemanha”, disse Sonia Seneviratne, professora de dinâmicas terra-clima do Instituto de Ciência Atmosférica e Climática de Zurique.

Terreno

Os defensores da agricultura sem arado afirmam que a prática poderia trazer ainda mais benefícios, como economizar água, evitar a erosão do solo e até mesmo controlar o aquecimento global.
Em um informe de 2010, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos disse que a prática poderia “remover quantidades substanciais de carbono”, ao ajudar a Terra e reter mais carbono no solo, reduzindo, consequentemente as emissões para a atmosfera de gases de efeito estufa que causam o aquecimento global.

Críticos, no entanto, afirmam que a prática leva ao aumento do uso de herbicidas químicos, com a perda do benefício de eliminação das ervas daninhas, causada pela suspensão do arado. Cultivos sem arado ganharam popularidade nos Estados Unidos e na América do Sul, onde estão 85% das terras agrícolas não aráveis do mundo.

Anúncios

Brasil tem condições de chegar ao desmatamento zero, diz secretário

Em entrevista a programa televisivo, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, destacou a viabilidade de o País reduzir ainda mais o desmatamento e contribuir para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. “Há condições plenas de chegarmos ao desmatamento zero”, afirmou o climatologista.

desmatamento zero

Na conversa com o jornalista José Roberto de Toledo, no programa A Notícia da Rede TV, nesta semana, Nobre lembrou que o País tem, cada vez mais, se aproximado da meta estabelecida pelo governo de reduzir os desmatamentos na Amazônia para 3.600 quilômetros quadrados (km2) por ano até 2020.

“O Brasil iniciou com muito sucesso uma política pública de redução do desmatamento. Nós saímos de 27 mil km2, de 2004 para 2005, desmatados na Amazônia e numa área grande do Cerrado. Nos últimos anos, ficamos em torno de 5 mil quilômetros quadrados e o esforço é ainda maior”, disse o cientista ao ressaltar a redução de 80% dos desflorestamentos no período entre 2008 e 2010.

A expectativa é de que esse comportamento se mantenha em novas análises referentes aos últimos anos. Na sua avaliação, trata-se de um fator relevante para o Brasil, já que o desmatamento contribui para grande parte das emissões. Para exemplificar, o pesquisador compara o tamanho de um campo de futebol a 10 mil metros quadrados (km2) de floresta desflorestada, o que representaria de 120 a 150 toneladas de gás carbônico a serem enviadas à atmosfera.

Segundo Nobre, de cerca de 2 milhões de km2 existentes no Brasil, em forma de pastagens, estão degradados ou sendo convertidos para formas de agricultura mais produtivas, com a produção, por exemplo, de bioetanol (combustível renovável produzido a partir de resíduos agroindustriais, como o bagaço de cana). Para o secretário, apostar na energia renovável e numa agricultura mais eficiente é uma estratégia significativa diante do desafio de evitar um processo acelerado de aquecimento global.

Produtividade agrícola

O cientista destaca, ainda, o desacoplamento das emissões com o crescimento econômico. “A agricultura brasileira aumentou a sua produtividade, nesses últimos oito anos, como ocorreu na Amazônia e o desmatamento caiu”, frisou o pesquisador ao defender a necessidade de mais ciência, precisão e alta tecnologia e tecnificação no campo, bem como redução da área plantada e maior produção.

“Hoje a agricultura moderna brasileira já se deu conta de que o caminho da agricultura mundial é o aumento da produtividade. No Brasil, ainda que tenhamos excelentes exemplos de agricultura de ponta com altíssima produtividade, o potencial está longe de ser atingido”, ressaltou o cientista, que sustenta a importância de o país conhecer melhor a sua biodiversidade e descobrir novas maneiras de agregar valor aos produtos agrícolas.

Ele citou o exemplo da produção de açaí no Norte do país: “Um hectare em produção de açaí rende em média entre R$ 2 mil e 2,5 mil de lucro para o produtor, enquanto um hectare destinado à criação de gado rende entre R$ 150 e 200”. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), comentou o secretário, descobriu uma substância extraída do açaí que atua como um importante corante para mostrar placas bacterianas.

“Então nós temos muito que ir para essa economia da biodiversidade brasileira, que é um enorme potencial que o Brasil ainda não explorou, mantendo a integridade dos ecossistemas”, disse. “Esse é um desafio também de ciência, de desenvolver conhecimento, e de descobrir novos usos dos produtos da biodiversidade.”

A ideia é aproveitar a vocação do país para a produção de bioenergia, bioetanol e seus bioprodutos, como fertilizantes, cosméticos, alimentos e plásticos. “A indústria chamada química verde está indo muito nesta direção. O Brasil tem tudo para ser um grande líder da chamada bioeconomia do futuro, quer dizer: numa economia muito baseada nos recursos naturais”, afirmou.

Aquecimento Global

Na avaliação do especialista em mudanças climáticas, embora o desmatamento tropical tenha registrado queda no Brasil e em outras regiões do planeta, isso não reduz as preocupações quanto ao aquecimento global. Ele lembra que a temperatura global aqueceu, em média, cerca de 1 grau no continente e pouco menos (entre 0,6 e 0,7 grau) na superfície do oceano desde 1860. “É pisar no acelerador da máquina climática planetária numa velocidade 50 vezes maior do que os ciclos naturais, essa é a grande preocupação”, alertou.

Nobre explicou que as sociedades modernas têm injetado uma grande quantidade de gases na atmosfera que causam o aquecimento – especialmente a partir da queima de combustíveis fósseis e das florestas e com as atividades agrícolas –, enquanto a atmosfera não consegue se livrar de 50% desses gases que, em quantidade excessiva, causam o aquecimento da Terra.

Mesmo que os países reduzam o desmatamento a zero, se o aquecimento continuar a maioria das florestas tropicais não resistirá a 4 ou 5 graus de aquecimento, disse. “As espécies não se desenvolveram em ambientes com essas temperaturas e extremos climáticos. Se o clima mudar muito e houver um descontrole completo do clima, se não conseguirmos reduzir as emissões vamos ver globalmente um total rearranjo dos ecossistemas dos grandes biomas”, reforçou.

As projeções agora, na avaliação de Nobre, dependem muito da efetividade do acordo global dos países feitos na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que tem como um dos aspectos centrais a redução dos riscos futuros de um superaquecimento. Para evitar isso, as nações concordaram em fazer todos os esforços para limitar as emissões. O entrevistado analisou que o desafio agora, para essa sociedade dependente de alimentos e de confortos, é virar a página e entrar num modelo que mantenha a segurança alimentar, energética, hídrica e, ao mesmo tempo, reduza as emissões.

“Então esse tem sido o grande dilema: a ciência enxerga esses riscos e comunica. A convenção climática também aceita que esses riscos existem, tanto é que, em 2009, em Copenhague, todos os países concordaram que nós não devemos deixar o planeta aquecer mais que 2 graus, mas as emissões não estão reduzindo, estão aumentando ano após ano”, enfatizou.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

Conceito de sustentabilidade 

Sustentabilidade é um termo usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações. Ou seja, assustentabilidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro. Seguindo estes parâmetros, a humanidade pode garantir o desenvolvimento sustentável.

Imagem

Ações relacionadas a sustentabilidade

– Exploração dos recursos vegetais de florestas e matas de forma controlada, garantindo o replantio sempre que necessário. 

– Preservação total de áreas verdes não destinadas a exploração econômica.

– Ações que visem o incentivo a produção e consumo de alimentos orgânicos, pois estes não agridem a natureza além de serem benéficos à saúde dos seres humanos;

– Exploração dos recursos minerais (petróleo, carvão, minérios) de forma controlada, racionalizada e com planejamento.

– Uso de fontes de energia limpas e renováveis (eólica, geotérmica e hidráulica) para diminuir o consumo de combustíveis fósseis. Esta ação, além de preservar as reservas de recursos minerais, visa diminuir a poluição do ar.

– Criação de atitudes pessoais e empresarias voltadas para a reciclagem de resíduos sólidos. Esta ação além de gerar renda e diminuir a quantidade de lixo no solo, possibilita a diminuição da retirada de recursos minerais do solo.

– Desenvolvimento da gestão sustentável nas empresas para diminuir o desperdício de matéria-prima e desenvolvimento de produtos com baixo consumo de energia.

– Atitudes voltadas para o consumo controlado de água, evitando ao máximo o desperdício. Adoção de medidas que visem a não poluição dos recursos hídricos, assim como a despoluição daqueles que se encontram poluídos ou contaminados.

Benefícios

A adoção de ações de sustentabilidade garantem a médio e longo prazo um planeta em boas condições para o desenvolvimento das diversas formas de vida, inclusive a humana. Garante os recursos naturais necessários para as próximas gerações, possibilitando a manutenção dos recursos naturais (florestas, matas, rios, lagos, oceanos) e garantindo uma boa qualidade de vida para as futuras gerações.

Mudanças climáticas já causam queda da produtividade agrícola no mundo

As mudanças climáticas têm causado alterações nas fases de reprodução e de desenvolvimento de diferentes culturas agrícolas, entre elas milho, trigo e café. E os impactos dessas alterações já se refletem na queda da produtividade no setor agrícola em países como Brasil e Estados Unidos.

A avaliação foi feita por pesquisadores participantes do Workshop on Impacts of Global Climate Change on Agriculture and Livestock , realizado no dia 27 de maio, no auditório da FAPESP.

supremonatureza

Promovido pelo Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, o objetivo do evento foi reunir pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos para compartilhar conhecimentos e experiências em pesquisas sobre o impactos das mudanças climáticas globais na agricultura e na pecuária.

“Sabemos há muito tempo que as mudanças climáticas terão impactos nas culturas agrícolas de forma direta e indireta”, disse Jerry Hatfield, diretor do Laboratório Nacional de Agricultura e Meio Ambiente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). “A questão é saber quais serão o impacto e a magnitude dessas mudanças nos diferentes países produtores agrícolas”, disse o pesquisador em sua palestra no evento.

De acordo com Hatfield, um dos principais impactos observados nos Estados Unidos é a queda na produtividade de culturas como o milho e o trigo. O país é o primeiro e o terceiro maior produtor mundial desses grãos, respectivamente. “A produção de trigo [nos Estados Unidos] não atinge mais grandes aumentos de safra como os obtidos entre as décadas de 1960 e 1980”, afirmou.

Uma das razões para a queda de produtividade dessa e de outras culturas agrícolas no mundo, na avaliação do pesquisador, é o aumento da temperatura durante a fase de crescimento e de polinização.

As plantas de trigo, soja, milho, arroz, algodão e tomate têm diferentes faixas de temperatura ideal para os períodos vegetativo – de germinação da semente até o crescimento da planta – e reprodutivo – iniciado a partir da floração e formação de sementes.

O milho, por exemplo, não tolera altas temperaturas na fase reprodutiva. Já a soja é mais tolerante a temperaturas elevadas nesse estágio, comparou Hatfield.

O que se observa em diferentes países, contudo, é um aumento da frequência de dias mais quentes, com temperatura até 5 ºC mais altas do que a média registrada em anos anteriores, justamente na fase de crescimento e de polinização.

“Observamos diversos casos de fracasso na polinização de arroz, trigo e milho em razão do aumento da temperatura nessa fase. E, se o aumento de temperatura ocorrer com déficit hídrico, o impacto pode ser exacerbado”, avaliou.

Segundo Hatfield, a temperatura noturna mínima tem aumentado mais do que a temperatura máxima à noite. A mudança causa impacto na respiração de plantas à noite e reduz sua capacidade de fotossíntese durante o dia, apontou.

Meio Ambiente

A preocupação com o meio ambiente é talvez a pedra-fundamental da discussão hoje em prática sobre o direcionamento do processo produtivo para a gestão responsável dos recursos, e não apenas para a geração de riqueza e consumo. Com diversos exemplos em todo o mundo, é possível afirmar que a evolução dos processos da iniciativa privada em relação à preservação de recursos naturais gera resultados mais favoráveis não somente para a sociedade e para as gerações futuras, mas para as próprias companhias, inclusive com ganhos financeiros.

supremo meio ambiente

Além da preocupação com os processos produtivos e a busca por soluções para a substituição de insumos, as empresas têm a capacidade de influenciar o comportamento do consumidor – considerando-se aqui não apenas o cliente final, mas também o consumidor corporativo de bens e serviços e os responsáveis pelas compras públicas.

Há anos, sinaliza-se que a principal causa dos problemas sociais e ambientais são os padrões insustentáveis de produção e consumo. Mas a verdadeira revolução no cenário econômico mundial e o equilíbrio entre o poder produtivo e a preocupação com o impacto no meio ambiente dependem de diversos fatores.

Nesse ponto, temos mais perguntas do que respostas. A primeira questão diz respeito a quem é o responsável por criar novos padrões de consumo: o governo, as empresas ou os consumidores?

Avaliando a condução dessas mudanças, percebe-se que as empresas já trabalham para oferecer aos consumidores produtos sustentáveis e que os próprios consumidores já buscam alternativas aos produtos tradicionais. No entanto, o consumo gera resíduos e sua administração ainda é tema de debates sobre a eficiência das políticas públicas. De um lado, a indústria geradora; do outro, o cliente/consumidor. Quem deve se responsabilizar pela correta destinação dos resíduos sólidos, incluindo embalagens, caixas e restos orgânicos?

A indústria, como principal utilizadora de recursos naturais, já tem oferecido diversas soluções para reintegrar seus resíduos ao processo produtivo. Entretanto, está em discussão a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que traz as diretrizes para a resolução dessa questão, mas pede forte empenho coletivo para sua aplicação. Um caminho viável é a constituição de acordos setoriais que indiquem o percurso mais adequado para cada tipo de resíduo. Com essa experiência será possível aprimorar a legislação, ainda frágil. Para viabilizar a proposta em andamento, é fundamental o comprometimento do poder público, das empresas e da sociedade como um todo.

Levando o debate à origem dos insumos, o respeito pela biodiversidade merece atenção. Essa questão tem preocupado cientistas e estudiosos em todo o mundo. Dados comprovam que as medidas já adotadas para a sua preservação estão aquém da real necessidade de controle da exploração das fontes naturais. Há registros de perda de 35% dos mangues do planeta, de extinção total de florestas em 25 países e de degradação de 50% das áreas úmidas da Terra, bem como de 30% dos recifes de corais, que chegaram a um ponto em que é impossível sua recuperação. A participação da iniciativa privada cresce. Segundo estudo da consultoria McKinsey, 53% dos CEOs das grandes empresas se preocupam com perdas da biodiversidade, o que indica que as organizações devem trabalhar no sentido de identificar seus impactos negativos e como neutralizá-los, gerenciar riscos e mapear oportunidades.

A questão ambiental pede, também, maior atenção de políticas públicas voltadas à conservação das florestas. Ainda é embrionário o processo de harmonização das atividades exploratórias, que pode ser incrementado com mecanismos de compensação, ainda não previstos no Código Florestal Brasileiro, e o desenvolvimento do valor econômico e dos ativos das florestas. Mesmo assim, os especialistas se mostram otimistas, tendo em vista que o Brasil é o país que mais reduziu emissões de carbono relacionadas ao desmatamento e segue com a meta de desmatamento zero até 2020.