Arquivo do mês: janeiro 2015

‘PIB sustentável’ do Brasil cresceu apenas 2% em 20 anos, diz estudo

Se toda a riqueza produzida pelo Brasil fosse dividida pelo total de habitantes do país em 1990, cada brasileiro levaria para casa R$ 3.999. Vinte anos depois, em 2010, a divisão desse bolo – conhecido pelos economistas como o PIB per capita – seria de R$ 5.604, uma alta de 40%.

No entanto, segundo um novo indicador divulgado nesta quarta-feira (10), a economia brasileira teria crescido na verdade apenas uma fração disso: 2% em duas décadas.

A explicação: se por um lado, mais bens e serviços foram produzidos, por outro, mais recursos renováveis e não renováveis também foram gastos para alimentar esse crescimento. Além disso, por causa de flutuações de mercado, parte dessas matérias-primas também perdeu valor ao longo do tempo.

Ou seja, conclui o relatório, o Brasil ficou mais rico, mas a um ritmo inferior do que supõe a métrica tradicional.

Em sua segunda edição, o Índice de Riqueza Inclusiva (ou IRW, de Inclusive Wealth Index) mediu o desempenho econômico de 140 países entre 1990 e 2010 de forma a refletir a evolução do desenvolvimento sustentável nesse período.

Publicado a cada dois anos desde 2012, o levantamento não se restringe a analisar o quanto aumentou o PIB per capita no período – calcula o impacto na economia das mudanças em capital humano (mão de obra), capital natural (recursos naturais) e capital produzido (produção de bens e serviços) de cada país.

De forma geral, segundo aponta o relatório, os países apresentaram um crescimento bem mais expressivo quando analisado apenas seu desempenho econômico pelos critérios de PIB per capita. Entre 1990 e 2010, esse indicador registrou alta de 50%.

No entanto, quando as mudanças no capital humano, natural e produzido são consideradas, a economia mundial cresceu muito menos: apenas 6%.

De acordo com a pesquisa, o baixo nível de crescimento do capital humano (em termos de educação, aptidão e habilidades), combinado com vastas perdas no capital natural (terras agrícolas, florestas, reservas fósseis e minerais), explicam o mau desempenho do crescimento da economia global apesar dos enormes ganhos no capital produzido.

“O relatório desafia a perspectiva limitadora do PIB. E também destaca a necessidade de integrar a sustentabilidade na evolução econômica e no planejamento de políticas públicas”, afirmou Partha Dasgupta, professor emérito de Economia da Universidade de Cambridge e um dos responsáveis pelo estudo.

“Olhar além do PIB e adotar um Índice de Riqueza Inclusiva internacionalmente é fundamental para que a agenda de desenvolvimento sustentável pós-2015 se adeque aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, acrescentou Dasgupta.

Perda de recursos

O Brasil não foi exceção entre os países que apresentaram desequilíbrios entre os critérios convencionais de medição do crescimento da economia e a alternativa proposta pelo IWI.

Entre 1990 e 2010, os economias per capita de Estados Unidos, Índia e China, por exemplo, cresceram respectivamente 33%, 155% e 523%. Já quando o desenvolvimento sustentável é analisado, a riqueza inclusiva desses países teria crescido 13%, 16% e 47% em duas décadas.

Outros países inclusive tiveram desempenho negativo quando avaliada a variação do IWI, como o Equador, onde o PIB per capita aumentou 37% e a riqueza inclusiva caiu 17%. A economia do Catar quase dobrou de tamanho (alta de 85%) segundo a medição tradicional, mas o IWI apresentou queda de 53%.

De acordo com o relatório, o crescimento populacional e a depreciação do capital natural são os dois principais fatores por trás da queda da geração de riqueza sustentável per capita na maioria dos países analisados.

O estudo acrescenta que a população aumentou em 127 dos 140 países analisados, enquanto o capital natural registrou trajetória inversa, caindo também em 127 das 140 nações avaliadas.

“Embora ambos os fatores tenham influenciado negativamente o crescimento da riqueza, as mudanças populacionais foram responsáveis pelas maiores reduções”, destaca a pesquisa.

Fonte finita

No caso do capital natural, a situação do Brasil é curiosa. Apesar de ter a segunda maior cobertura florestal do mundo, com 56% do território dominado por florestas, o país foi um dos que mais perdeu capital florestal nos últimos anos, ao lado de Nigéria, Indonésia, Mianmar e Zimbábue, e acabou ultrapassado pela China.

O país asiático, por sua vez, lidera o ranking global, mas só tem 18% de seu território coberto por florestas, segundo o estudo, devido às diferenças de preço da madeira. A China tem mais áreas onde a matéria-prima pode ser extraída e vendida legalmente.

Além disso, acrescenta o relatório, o Brasil perdeu capital florestal entre 1990 e 2000 devido ao desmatamento e só começou a recuperá-lo na última década, quando medidas para conter a derrubada de árvores, como leis mais duras, foram tomadas pelo governo.

Por outro lado, o país ganhou capital natural ao aumentar o número de terras destinadas à agricultura.

O estudo alerta, no entanto, sobre o consumo desenfreado das matérias-primas que alimentou o crescimento econômico na década anterior, medido pelos critérios convencionais.

“Por mais de meio século, avaliamos o progresso das nações com base em quanto é produzido, consumido e investido; nós o medimos em dólares americanos e agregamos os dados em uma métrica fácil de ser comparada: o Produto Interno Bruto (PIB)”, afirmou Anantha Duraiappah, diretor da Unesco / Instituto Mahatma Gandhi de Educação para Paz e Desenvolvimento Sustentável.

“A suposição implícita, no entanto, de que a fonte da qual depende esse crescimento é infinita claramente não é verdadeira. Menos de 50% dos 140 países analisados estão uma trajetória sustentável; mais da metade deles está consumindo além do que podem”, acrescentou ele.

Luís Guilherme Barrucho // Da BBC Brasil em São Paulo

Fonte: Site Economia Uol

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Desastres naturais de 2014 foram menos destrutivos, afirma seguradora

Catástrofes provocaram menos mortes e danos materiais em 30 anos.
Dados de 2014 ‘não permitem criar a ilusão de segurança’, diz relatório.

As catástrofes naturais registradas em 2014 provocaram menos mortes e danos materiais que nos últimos trinta anos, constata a resseguradora Munich Re em um documento publicado nesta quarta-feira (7).

A gigante alemã dos resseguros, que publica estudo anual sobre o tema, calcula que os custos acumulados pelas catástrofes no ano passado chegaram a US$ 110 bilhões, valor menor que no ano anterior (US$ 140 bilhões) e que a média dos últimos trinta anos.

Os desastres provocaram 7.700 mortes. Com 665 vítimas, as inundações na Índia e no Paquistão em setembro foram as mais mortíferas. O mais destrutivo e caro evento climático de 2014 foi o ciclone Hudhud, que atingiu a Índia, com um custo de US$ 7 bilhões.

O número de mortos registrados nas catástrofes naturais caiu significativamente em relação a 2013 (21.000) e à média dos últimos anos, e se situa no nível de 1984.

‘Ilusão de segurança’
Estes dados são uma boa notícia, comenta em um comunicado Torsten Jeworrek, membro da direção da Munich Re, e são explicados, entre outras coisas, pelas medidas preventivas adotadas pelas autoridades, como na Índia com a chegada do ciclone Hudhud ou nas Filipinas antes do tufão Hagupit.

A temporada de furacões na América do Norte e Central foi relativamente tranquila, já que foram registrados oito furacões violentos contra os 11, em média, ocorridos entre 1950 e 2013. Mas os dados de 2014 “não permitem criar a ilusão de segurança”, afirma Jeworrek, que adverte “que não há razão para esperar uma evolução similar em 2015”.

Dos US$ 110 bilhões em danos constatados no ano passado, apenas US$ 31 bilhões estavam assegurados. O desastre natural mais caro, uma tempestade no Japão que esteve acompanhada por fortes nevascas, teve um custo para as companhias de seguros de US$ 3,1 bilhões.

Fonte: G1

Produção sustentável

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