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05/07/2012 17h37 – Atualizado em 05/07/2012 17h37 Polícia Civil investiga degradação em nascentes de rios, em Goiânia

De 40 áreas analisadas, 20 estavam sendo degradadas, diz delegado.
Em um dos locais, Agência do Meio Ambiente autorizou construção de casas.

A Delegacia Estadual do Meio Ambiente (Dema) investigou 40 áreas de Goiânia onde existem nascentes de rios. Segundo a polícia, metade delas estava sendo degrada, o que resultou em abertura de inquérito policial.

Uma das nascentes fica no Jardim Botânico, região oeste da capital. Segundo o titular da Dema, Luziano de Carvalho, o lugar conta com três áreas de proteção de aproximadamente 50 mil metros quadrados. No local deveria ter mata nativa para preservar a nascente, mas tem criação de gado ou construções.

O pouco de vegetação que ainda há ainda corre risco de ser destruída por causa de um condomínio que começou a ser construído este ano. Pelo Plano Diretor do município, a distância da obra até a nascente deveria respeitar os 100 metros, mas a construção do condomínio fica a aproximadamente 30 metros da nascente.

“É uma área de vereda, brejosa, e isso aqui tem um dreno justamente para secar a água. É um sinal de morte dessa nascente”, explicou o delegado Luziano Carvalho.

Segundo a associação responsável pelo residencial popular, estão sendo construídas 149 casas com autorização da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). “O processo foi mandado para a Amma e eles mandaram um parecer para prefeitura dizendo que esse conjunto tinha pouco impacto ambiental”, relatou o contador da associação, Adilson Santos da Silva.

Segundo o delegado Luziano, 18 inquéritos estão sendo concluídos e encaminhados à Justiça, entre eles o que analisa a área do Jardim Botânico, mesmo sabendo que a construção foi autorizada pela Amma.

A Amma confirmou que concedeu a licença para a construção do loteamento, mas que isso não dá ao empreendedor o direito de destruir a área de preservação ambiental e construir o conjunto habitacional fora dos limites permitidos por lei. Técnicos vão vistoriar a área e se houver alguma irregularidade o dono será multado e terá a licença cassada.

Fonte: G1 / Goiás – Tv Anhanguera

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Rio Araguaia pode secar em até 40 anos, revela estudo da polícia em GO

Vídeos feitos pela Delegacia do Meio Ambiente relevam grande desmatamento.
Produtores podem responder criminalmente pela destruição das matas.

A Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) divulgou nesta terça-feira (9) um levantamento sobre as condições ambientais do Rio Araguaia, que corta do estado de Goiás. De acordo com os dados e imagens colhidas ao longo de três meses, a estimativa é que, se a situação não for corrigida imediatamente, o a bacia pode secar em até 40 anos.

Vídeos feitos pela polícia mostram toda a destruição da natureza em algumas cidades que cercam o rio. Em alguns pontos, a mata foi derrubada para dar lugar a plantações ou pastos para a criação de gado. Em Britânia, o Rio Vermelho foi desviado por agropecuaristas. Devido a essa alteração, o Lago dos Tigres, abastecido pelo rio, corre o risco de secar.

O delegado titular da Dema, Luziano Carvalho relata que os indícios são preocupantes. “Houve o desmatamento ao longo do tempo de margens dos mananciais do Rio Araguaia. Onde tinha água, colocou-se capim, onde tinha peixe, hoje tem boi. Eram locais para alimentar os mananciais; hoje evaporam com uma rapidez incrível, porque onde tinha infiltração, está compactado pelo pisoteio do gado”, disse.

A polícia vai pedir para que os produtores rurais cerquem a área ao redor das nascentes, para que a mata possa voltar a crescer. Quem não colaborar, poderá responder criminalmente. “Vai caracterizar crime ambiental, por impedir ou dificultar a regeneração natural. Também vamos encaminhar todos esses procedimentos ao Poder Judiciário. É um momento em que precisamos urgentemente de sair do discurso, inclusive o de punição, para o momento de recuperação”, disse o delegado.

O Rio Araguaia nasce em Goiás e deságua no Pará. É considerado o rio mais importante do Cerrado, além de contribuir com as bacias Amazônica e do Sudeste. “Pode virar uma história. Um dia a gente fala que o Araguaia um dia foi muito bom de peixe, teve uma fauna riquíssima. Hoje ainda está em tempo, já está muito depredado, mas ainda tem tempo [de salvar o rio]. É questão de conscientização, de trabalho e de fiscalização”, disse o biólogo Hélder Lúcio Silva.

Fonte: G1 / Goiás

Ribeirão João Leite tem 23 nascentes que já não podem ser recuperadas

Delegado alerta para possível falta de água se medidas não forem tomadas.
Fazendeiros se comprometeram em proteger as demais 468 nascentes.

A Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) divulgou nesta terça-feira (10) que 23 nascentes que compõem a bacia do Ribeirão João Leite não podem mais ser recuperadas.  Responsável por abastecer a Região Metropolitana de Goiânia, o reservatório formado pelo manancial pode secar em alguns anos se não for protegido.

“Se não tiver a manutenção, o cuidado com as nascentes, o uso da água de forma indiscriminada, porque nós temos muito abusos, muito desperdícios, o manancial não vai resistir”, disse o titular da Dema, Luziano de Carvalho.

Ao todo, o ribeirão possui 491 nascentes, sendo que 70 estão integralmente preservadas. A Polícia Civil monitora a região desde 1999 e, por isso, já conseguiu reverter 19 nascentes que corriam o risco de secar. Inclusive, a do principal afluente do ribeirão, localizada em Ouro Verde, a 59 km de Goiânia.

Fotos retiradas em 2004 mostram que as proximidades da nascente estavam desmatadas. Situação completamente diferente do registrado dez anos depois, quando a mata ciliar foi recuperada.

A mudança ambiental ocorreu com o apoio de fazendeiros da região. Para o delegado, é fundamental a parceria com os produtores rurais. Ele espera que, até o final do ano, todas as nascentes estejam protegidas de novas ações degradantes.

Representante de fazendeiros da região, Benício Rodrigues afirma que eles fazem questão de proteger o meio ambiente. “Eles se comprometeram em cercar as nascentes para evitar a aproximação do gado, deixar regenerar a vegetação e enriquecer com outros arbóreos, regenerando o mais rápido possível a região”, afirma.

O delegado afirma que a intenção não é indiciar o produtor rural, mas sim fazer parcerias. Luziano afirma que, apenas em casos extremos os fazendeiros são indiciados. Caso os donos de fazendas impeçam ou dificultem a regeneração ambiental, ele pode ser multado em até R$ 5 mil por hectare.

Caso seja condenado, a pena pode ser de 6 meses a 1 ano. “O objetivo não é criminalizar ninguém, tem que acabar essa cultura de punição, tem que ser de conscientização”, afirma Luziano.

Fonte: G1 / Goiás