Arquivo da categoria: outorga

Parabéns a todos Engenheiros Ambientais

“Temos 22 anos no Brasil e já somos 15.229 engenheiros ambientais registrados, onde lutamos pela defesa da nossa sociedade, pelo equilíbrio entre desenvolvimento e conservação ambiental, pela sustentabilidade ambiental, pelo nosso espaço no mercado e pelo reconhecimento de nossas atribuições profissionais, lutamos pelo respeito. ”

Eng Marcus Vinícius Presidente da ANEAM

DIA DO ENGENHEIRO AMBIENTAL

Segue matéria: http://aneam.org.br/index.php/noticias/internas/item/3354-engenheiro-ambiental,-parabéns-pelo-seu-dia

Leinertex parceira da SUPREMO

Reunião na LEINERTEX, confiabilidade em nossos serviços a 10 anos, parceria sólida com CREDIBILIDADE, com Breno, Joy, Eduardo e Elio.supremo leinertec

Gestão ambiental reduz custos diretos nas empresas

A gestão ambiental ou gestão de recursos ambientais é a administração do exercício de atividades econômicas e sociais de forma a utilizar de maneira racional os recursos naturais, incluindo fontes de energia, renováveis ou não. Fazem parte também do arcabouço de conhecimentos associados à gestão ambiental técnicas para a recuperação de áreas degradadas, técnicas de reflorestamento, métodos para a exploração sustentável de recursos naturais, e o estudo de riscos e impactos ambientais para a avaliação de novos empreendimentos ou ampliação de atividades produtivas.
A prática da gestão ambiental introduz a variável ambiental no planejamento empresarial, e quando bem aplicada, permite a redução de custos diretos – pela diminuição do desperdício de matérias-primas e de recursos cada vez mais escassos e mais dispendiosos, como água e energia – e de custos indiretos – representados por sanções e indenizações relacionadas a danos ao meio ambiente ou à saúde de funcionários e da população de comunidades que tenham proximidade geográfica com as unidades de produção da empresa. Um exemplo prático de políticas para a inserção da gestão ambiental em empresas tem sido a criação de leis que obrigam a prática da responsabilidade pós-consumo.

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Grande empresa contrata serviços da SUPREMO ambiental

CREDIBILIDADE conquistada em uma década, mais uma grande empresa acreditando em nossa qualificação profissional, Fazenda Nova Piratininga, o maior projeto agropecuário do Brasil, Área Total 130.500,00 hectares, 103.000 animais, produção de 30.000 bezerros/ano, 900 km de estradas somente dentro da propriedade, agradecemos a confiança: Igor de Melo (Diretor Financeiro), Aderbal Caiado (Diretor de Pecuária), e Claúdio (Gerente da Fazenda), licenciaremos 2 cascalheiras, 2 extrações de areia, 1 confinamento para 30.000 cabeças, tanque de combustível, fábrica de ração, outorgas de poços, outorgas de barragens e captações para abastecimentos de reservatórios de 1.300.000 litros.

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Desmatamento afeta resistência à seca da Amazônia, alerta estudo

A resistência da floresta amazônica ao estresse térmico, como em situações de seca, poderia estar se debilitando, segundo estudo da Universidade de Valência, no leste da Espanha.

Esta é a principal conclusão do estudo que avaliou os efeitos das secas de 2005 e 2010 nas florestas tropicais do Amazonas e que foi publicado no Journal of Geophysical Research.

Segundo os pesquisadores, as regiões mais afetadas por este aquecimento recente “se encontram na zona sudeste, coincidindo com o chamado arco de desmatamento”, que inclui os Estados de Rondônia, Mato Grosso e Pará, onde as práticas de desmatamento “foram mais agressivas nos últimos anos”.

Um dos fatores mais determinantes da mudança climática sobre a região amazônica são as secas severas, “fenômenos que se produzem por um aumento na temperatura do mar”, em particular na zona leste do Oceano Pacífico, e que são conhecidas popularmente como El Niño.

São vários os estudos que analisaram nos últimos anos o efeito das secas sobre a floresta amazônica medido com dados de satélite, “mas são poucos os trabalhos que analisaram o papel das anomalias térmicas”, afirma em uma nota a Universidade de Valência.

A análise dos dados climáticos dos últimos 32 anos e dados de satélites entre 2000 e 2012 mostram um aquecimento estatisticamente significativo na última década, algo que não se observa nas duas anteriores.

Embora os especialistas sempre tenham considerado que as florestas tropicais do Amazonas “possuem uma extraordinária resistência às condições de estresse hídrico”, os resultados mostrados neste estudo sugerem que a resistência da floresta amazônica ao estresse térmico poderia estar se debilitando.

A floresta amazônica representa cerca de 50% das florestas tropicais do mundo e é “um componente chave do ciclo global do carbono”, de modo que as mudanças que ocorream na floresta podem afetar a concentração de CO2 na atmosfera e portanto a própria mudança climática.

O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Juan Carlos Jiménez-Muñoz e José Antonio Sobrinho,  da Universidade de Valência, com a colaboração de Cristian Mattar, da Universidade do Chile, e Yadvinder Malhi, da Universidade de Oxford.

Cresce o número de cursos voltados para a área ambiental

Cresce no Brasil o número de cursos voltados para a área ambiental. Segundo o Ministério da Educação, existem hoje no país aproximadamente dois mil cursos dos mais variados tipos. Somente nas escolas do Senac, por exemplo, foram oferecidos no ano passado 32 cursos ligados a área ambiental com 5.414 alunos.

“Nos últimos seis anos, a gente percebeu um aumento de 400% no número de alunos no estado do Rio de Janeiro. Mas, por conta disso, a gente começou com cursos menores e evoluímos para cursos maiores de graduação e pós-graduação”, afirma Marcelo Pereira Barbosa, gerente de produtos de segurança e meio ambiente do Senac/RJ.

Um dos cursos mais procurados é o de gestão ambiental. A turma reúne alunos de diferentes idades e formações profissionais. “Minha expectativa é ter uma consultoria ou estar diretamente contratado numa grande empresa e poder então usar tudo o que eu aprendi na gestão ambiental”, diz o aluno Claus Hinden.

“A gente tem o mais variado tipo de público. Tem gente já com graduação e tem gente buscando trilhar uma outra carreira dentro da vida dela”, explica o professor do curso, Emilio Masuda.

Dália Maimon coordena três cursos ligados à área ambiental na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O que não falta é aluno para aprender economia, construção e turismo sustentáveis.

“Todos estão empregados. É impressionante a capacidade do mercado de absorver esses professores. Nós temos demanda das empresas e demandas de ONGs de colocação e mesmo de órgãos das Nações Unidas. Temos alunos estrangeiros, franceses, australianos, portugueses, italianos que vem aqui fazer essa especialização porque não há nos seus países”, fiz Dália.

Neste mercado de trabalho dinâmico e em constante transformação a tendência é que os profissionais ligados em sustentabilidade sejam cada vez mais valorizados. É o revela uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro realizada em todo o país.

A pesquisa ouviu 402 empresas que empregam 2,2 milhões de funcionários. Em todo o brasil,  59% das empresas pretendem aumentar as contratações na área ambiental até 2020.

Os chamados empregos verdes já respondem por quase 7 % (6,6%) de todos os empregos formais do país. De 2006 a 2010, o crescimento foi de quase 27%. Entre as profissões mais valorizadas, estão a de biotecnologista, engenheiro ambiental, técnico ambiental, engenheiro florestal e gestor ambiental.

A pesquisa da Firjan também revelou as mais bem remuneradas neste segmento no estado do Rio. Os salários médios variam de R$ 4.500 a R$ 12.980.  “Com certeza essas profissões estarão com muitas oportunidades até 2020”, acredita Ilda Alvez, gerente de pesquisas do sistema Firjan.

A equipe de reportagem visitou uma das maiores empresas do mundo na área de cosméticos em Cajamar, São Paulo. Quem deseja subir na vida por lá sabe que uma boa formação na área ambiental conta preciosos pontos. É o caso da Inês Cristina Franck. Para chegar ao cargo de gerente de tecnologias sustentáveis ela teve que aprender a medir os impactos causados pela empresa ao meio ambiente.

“A gente faz toda a mensuração de quantidade de água que utiliza na fábrica, quantidade de carbono emitida dentro da nossa rede de transporte para ver que tipo de ações a gente pode fazer pra melhorar isso”, diz Inês.

Alessandro Mendes coordena uma equipe de 140 funcionários. Para assumir o cargo de diretor de desenvolvimento da empresa, ele foi obrigado a buscar informações aonde a maioria das universidades ainda não chegou. “A academia não atende mais esta velocidade de novas profissões que são criadas e cabe ao profissional buscar informações por conta própria, ser autodidata e também cabe a academia rever o seu papel nesse novo contexto”, conclui Alessandro.

Quem busca uma vaga no mercado de trabalho já sabe: cuidar melhor do planeta é algo que pode dar muito prazer, e – por que não? – dinheiro.

Tailândia manchada de óleo

O Golfo da Tailândia foi atingido por um vazamento de 50 mil litros de petróleo na semana passada. A empresa estatal tailandesa PTT Public é a responsável pelo acidente que afetou a principal região de pesca e turismo do país. Apesar das operações para limpeza da área já terem começado, ainda há muito a ser feito, uma vez que a empresa petrolífera não possui sequer um plano para lidar com eventos como este.

O acidente aconteceu na sexta-feira, 27 de julho, quando o petróleo era transferido de um navio-tanque para o oleoduto de uma das refinarias da PTT. Em 30 anos, as águas tailandesas sofreram mais de 200 derramamentos de petróleo, sem contar que a PTT já teve uma de suas subsidiárias envolvidas em um dos maiores acidentes da história da Austrália, em 2009.

A dependência mundial de óleo para gerar energia obriga empresas e governos a procurarem mais fontes não convencionais de petróleo, em locais distantes e que exigem tecnologias cada vez mais avançadas. Essa combinação explica porque temos visto tantos acidentes, como o do Golfo do México, em 2010, e o que envolveu a Chevron no Campo do Frade, no Brasil, em 2012. Se queremos evitar vazamentos e ainda diminuir as emissões de gases efeito estufa, precisamos investir em fontes limpas e renováveis de energia.

Os planos de exploração no Ártico liderados pela gigante anglo-holandesa Shell e o próximo leilão do pré-sal marcado para outubro no Brasil servem como alertas de que mais acidentes ainda vão acontecer se continuarmos inertes. É o momento de o mundo investir na revolução energética ao invés de insistir em práticas ultrapassadas e sujas que prejudicam o meio ambiente.

Sistemas agroflorestais e a conservação do solo

Os sistemas agroflorestais (SAF’s) podem tornar produtivas áreas degradadas, melhorando sua função social e ecológica. A liteira produzida pelos componentes agroflorestais é um forte agente promotor desta recuperação. Os sistemas agroflorestais como alternativas de uso da terra promovem o aumento no nível de carbono orgânico no solo, quando comparados a florestas primárias.

Corpo:

Os sistemas agroflorestais têm sido preconizados como sustentáveis, ou seja, capazes de produzir para o presente momento, mantendo os fatores ambientais, econômicos e sociais, em condições de serem utilizados pelas gerações futuras. Estes sistemas também têm sido divulgados como uma solução alternativa para a recuperação de áreas degradadas, envolvendo não só a reconstituição das características do solo, como também a recuperação da terra, também denominado sítio, o qual envolve todos os fatores responsáveis pela produção em harmonia com o ecossistema: o solo, a água, o ar, o microclima, a paisagem, a flora e a fauna.

Este tipo de uso do solo é uma forma de plantio na qual se combinam espécies arbóreas lenhosas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos agrícolas e/ou animais, de forma simultânea ou em seqüência temporal e que interagem econômica e ecologicamente. E um dos aspectos positivos é a sustentabilidade desses sistemas com a presença de árvores, que têm a capacidade de capturar nutrientes de camadas mais profundas do solo, reciclando com uma maior eficiência e uma cobertura maior da terra.

Os sistemas agroflorestais têm sido divulgados como uma alternativa para o melhoramento da produtividade de sítios pobres ou degradados.

Os sistemas agroflorestais (SAF’s) podem tornar produtivas áreas degradadas, melhorando sua função social e ecológica. A liteira produzida pelos componentes agroflorestais é um forte agente promotor desta recuperação. Os sistemas agroflorestais como alternativas de uso da terra promovem o aumento no nível de carbono orgânico no solo, quando comparados a florestas primárias.

Os sistemas agroflorestais acumulam carbono ao longo do tempo, que podem recuperar quantidades perdidas durante a derruba e queima de florestas primárias, podendo funcionar como banco de estoque de carbono, recuperando entre 54% e 82% do carbono contido na floresta, num período de 15 anos. As vantagens para o uso deste tipo de sistema de cultivo em relação aos convencionais, tanto econômicas, como ambientais, são várias, entre as quais a combinação de produtos de mercado e de subsistência que permite limitar os riscos assumidos pelos agricultores familiares, sejam eles riscos climáticos ou riscos de mercado; a diversidade de espécies permite a obtenção de um número maior de produtos e/ou serviços a partir de uma mesma unidade de área, tanto para a subsistência da família quanto para o mercado; a área com sistema agroflorestal pode ser usada permanentemente, minimizando a necessidade de derruba e queima de novas áreas e aumentando as chances de fixação do homem no campo; e a alternativa para aproveitamento de áreas já alteradas ou degradadas. Também diminui a demanda de fertilizantes em razão da eficiente ciclagem e da adubação orgânica, melhora as propriedades físicas e biológicas do solo e permite a preservação da biodiversidade.

Área degradada é sinônimo de terra improdutiva, envolvendo alterações negativas no clima, hidrologia, paisagem, flora e fauna. É, portanto, um conceito mais amplo do que a degradação da fertilidade do solo, a qual reduz a capacidade de suporte do crescimento de plantas em bases sustentáveis, sob dadas condições de clima e outras relevantes propriedades da terra

Dentre as inúmeras implicações entre os SAF e o controle da erosão dos solos destacam-se os efeitos dos SAFs na manutenção da fertilidade do solo deveriam ser considerados conjuntamente com os efeitos diretos no controle da erosão, os SAFs apresentam potencial para controle da erosão por meio da cobertura fornecida pelas copas e serapilheira, em adição ao papel das árvores como barreiras para o escorrimento superficial de água; em regiões de clima seco, o controle da erosão deveria ser avaliado em conjunto com o papel das árvores no manejo da água; sistemas silvipastoris deveriam ser incluídos quando se avalia o potencial de sistemas para o controle da erosão.

A matéria orgânica do solo fornecida pelos sistemas agroflorestais é de fundamental importância para a recuperação das áreas degradadas, as quais podem ser assim resumidas tendo como importâncias principais boas condições físicas do solo, incluindo a capacidade de retenção de água; provem um balanceado do suprimento de nutrientes, protegendo-os contra a lixiviação até serem liberados pela mineralização; permite o melhor uso de fertilizantes por meio do melhoramento da capacidade de troca catiônica. Até o momento, as pesquisas têm demonstrado que a produção de biomassa que retorna ao solo, em sistemas agroflorestais é equiparada àquela produzida sob vegetação natural, quando se considera a mesma zona climática.

Os sistemas agroflorestais são preconizados como alternativas á monocultura agrícola, por serem capazes de manter a fertilidade dos solos e a sustentabilidade. Em estudos realizados no cerrado, foi concluído que pode ocorrer melhoria da fertilidade do solo nesses sistemas, principalmente devido a maior produção de fitomassa.

Sabemos que o fósforo é fundamental para a atividade metabólica de qualquer ser vivo e estará disponível se assim se fizer necessário. Há muito fósforo estocado em grande parte dos solos tropicais, embora em muitos deles a análise de laboratório acuse somente traços de fósforo disponível. Fósforo não é problema, basta que criemos condições para que seja disponibilizado. A maior fonte de fósforo, viável para uma agricultura realmente sustentável, é a matéria orgânica, e torna-se disponível quando dinamizamos o sistema e criamos condições propícias para a vida do solo.

Com a avaliação da biota do solo em modelos agroflorestais já foram constatados que os sistemas contribuem para a recuperação dos solos degradados de pastagem de forma mais rápida e eficiente do que a regeneração natural, observando-se também uma relação positiva entre densidade, porosidade total e umidade do solo, sugerindo que o papel da macrofauna do solo como um forte componente dos sistemas agroflorestais.

A produção de serrapilheira em sistema agroflorestal consorciando castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa) e cupuaçu (Theobroma grandiflorum) representou uma fonte de ingresso de nutrientes para a produção de frutos de cupuaçu e a produção de biomassa aérea da castanha-do-Brasil não foi afetada pela consorciação, em estudo feito em solo de baixa fertilidade no estado de Rondônia.

Considerando-se as características do SAFs pode-se concluir que esses são os sistemas mais apropriados ás condições ambientais dos trópicos úmidos de solos quimicamente pobres.

No entanto, sistemas agroflorestais não são uma panaceia para a solução de todos os problemas . Faz-se necessário estar sempre atento ao mercado, e produzir somente o que tiver maior possibilidade de comercialização. Os sistemas precisam ser compostos por espécies com as quais os produtores tenham alguma intimidade.

Mulheres ameaçadas

A CPT (Comissão Pastoral da Terra) divulgou no início do ano uma lista com 38 pessoas ameaçadas de morte no sul e sudeste do Pará por conta de conflitos envolvendo a luta pela terra. A Pública, agência de jornalismo investigativo, fez uma série de reportagens em parceria com o jornal Diário do Pará para contar a história das dez mulheres da lista que estão marcadas para morrer.

Uma delas é Laísa Santos Sampaio, irmã de Maria do Espírito Santo da Silva, que foi assassinada no assentamento Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, ao lado do marido José Claudio Ribeiro da Silva, em 2011. Laísa deu continuidade à luta do casal contra madeireiros, donos de carvoarias e grileiros. Só que agora é ela quem recebe as ameaças, provavelmente do mesmo grupo que encomendou a morte de seus parentes. Apenas o autor dos disparos e seu ajudante foram condenados no julgamento do crime de 2011. O principal acusado de ter sido o mandante, José Rodrigues Moreira, foi absolvido.

Segundo dados da CPT, entre 1964 e 2010 ocorreram 914 assassinatos no Pará envolvendo a questão da terra, sendo que 654 foram concentrados no sul e sudeste do estado. Essa área é conhecida por ter altos índices de conflitos agrários, desmatamento e trabalho escravo.

Maria Joel Dias da Costa, a Joelma, também teve sua história contada na Pública. Ela é viúva de José Dutra da Costa, o Dezinho, assassinado em Rondon do Pará, em 2000, por lutar pela regularização de terras. Depois da morte do marido, Joelma assumiu a causa, mas, como no caso de Laísa, o mesmo grupo que teria articulado o assassinato passou a fazer ameaças contra ela também.

O pistoleiro de Dezinho foi condenado e depois fugiu da prisão, após receber progressão de pena para regime semiaberto. Já o acusado de ser o mandante, o fazendeiro José Décio Barroso Nunes, responde em liberdade e não tem julgamento marcado. O mesmo também ocorreu recentemente no caso da missionária Dorothy Stang, quando o acusado de ser mandante do crime teve o julgamento anulado, enquanto o assassino confesso cumpre a sentença em prisão domiciliar.

As histórias de Joelma e Laísa têm detalhes diferentes, mas as motivações, as lutas e as dores são as mesmas. Não basta terem visto seus familiares assassinados, agora são elas que estão na mira, principalmente depois que os julgamentos dos crimes relacionados aos seus parentes não condenaram os mandantes, apenas os executores. Ficou o recado de que a impunidade tende a prevalecer nos crimes do campo. Enquanto isso ocorrer, pessoas como essas duas mulheres continuarão em perigo e a Amazônia seguirá sofrendo com desmatamento, violência e exploração de trabalhadores.

Pegadinha ruralista

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou no dia 27 a chamada PEC do Trabalho Escravo, a emenda constitucional que permite o confisco de propriedades rurais e urbanas flagradas com prática de trabalho em condições análogas à escravidão.

No entanto, a boa notícia sobre a medida, que tramita há 14 anos, deve ser vista com ressalvas: a bancada ruralista pretende descaracterizar o conceito de trabalho escravo. Isso porque a aprovação só foi possível com a futura organização de uma comissão de deputados e senadores para decidir o que configura trabalho escravo e regulamentar como será o processo judicial de expropriação.

Eles argumentam que não há uma definição clara sobre o tema, apesar de o artigo 149 do Código Penal tratar do assunto. De acordo com ele, a prática envolve trabalhos forçados, jornadas exaustivas e condições degradantes, entre outros.

Baseado nesses princípios,  o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) faz um cadastro de empregadores flagrados explorando mão de obra em condições análogas à escravidão. A chamada lista suja foi atualizada no último dia 28 e trouxe a inclusão de 142 empregadores, entre eles oito políticos. Ao todo, o cadastro reúne 504 nomes e é atualizado semestralmente desde 2003.

Em 2012, o governo federal definiu a PEC do Trabalho Escravo como prioridade, mas só as recentes mobilizações populares conseguiram criar o clima para sua aprovação. Porém, ao invés de contribuir para extinguir de vez essa prática, os ruralistas deram uma resposta dúbia à sociedade. Ao mesmo tempo em que essa aprovação é um passo à frente, a forma como ela será regulamentada poderá significar muitos outros para trás.