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O que fizeram das águas de Goiás?

Eliminação da cobertura vegetal de nascentes e margens, poluição e ocupação inadequada de seus entornos ameaçam os mananciais goianos

Se o assunto é água, a terra do pequi conhecida também como o coração do Brasil é um território privilegiado. O potencial hídrico do Cerrado dá ao bioma o título de Berço das Águas. Nomeação que os goianos não reconhecem o seu valor, como prova disso são: a eliminação das coberturas vegetais de nascentes e margens de rios, poluição e ocupação inadequada de seus entornos, que estão ameaçando um processo de minguamento e em alguns casos o desaparecimento dos cursos d’água.

Goiás possui 11 regiões hidrográficas que drenam suas águas para as bacias do Paraná, Araguaia-Tocantins e São Francisco. Conforme o gerente de apoio ao sistema de gestão de recursos hídricos da Secretária Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), João Ricardo, no Estado existem rios e córregos intermitentes, que são temporários, que desaparecem no período de estiagem. Por isso ocorre a seca de grandes rios que estão localizados principalmente na região centro-norte.

Entretanto, neste ano, é possível observar os cursos d’água que são perenes – aqueles que contêm água todo o ano – com o seu nível de água bem abaixo para o período. Para João Ricardo as mudanças climáticas intensificam a ocorrência de secas prolongadas. Aliadas a elas, o desmatamento, a expansão agropecuária e urbana, associada ao uso inadequado do solo que provocam a probabilidade de diminuir a quantidade de água dos córregos e rios.

“Existe uma cultura da população acreditar que temos abundância de água, mas o que não é verdade. É preciso pensar que a água é o único recurso, que não existe um plano B para suprir caso aconteça algo, ao contrário da energia, por exemplo, que podemos recorrer à energia nuclear, eólica e solar”, pontua João Ricardo.

Goiânia

Goiânia possui 85 cursos d’água sendo, quatro ribeirões, 80 córregos e um rio – o Meia Ponte, de acordo com a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). As nascentes dos córregos Buriti, Botafogo, Cascavel e Macambira estão secas atualmente. Quem afirma é o delegado responsável pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), Luziano Severino de Carvalho e o representante em Goiás da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH) e vice-presidente do Comitê da Bacia do Meia Ponte, Marcos Correntino.

“As nascentes destes córregos deixaram de existir, esse é o termo correto de usar. Para cada nascente existe um curso d’água, se essas nascentes sumiram da mesma forma desapareceram os cursos d’água o que influencia diretamente no nível de água dos córregos e rios”, explica Marcos Correntino.

Vale destacar que o ano de 2014 se destaca como o pior nível hidrológico da série histórica iniciada em 1931, no Brasil. Porém, para o representante em Goiás da ABRH, a degradação e destruição dos mananciais goianos é o preço que toda a população paga pela especulação imobiliária, pelos desmatamentos de margens, lançamento clandestino de esgoto e de entulho nas águas, assoreamento e a ocupação irregular de faixa de Zona de Proteção Ambiental (ZPA-I).

Correntino ainda denuncia que a falta de conscientização da população, o descaso e a ineficiência do poder público em todas as suas instâncias poderão provocar em Goiás nos períodos de seca graves crises de água.

Já o professor do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG), Luis Felipe Soares, afirma que o que está acontecendo é a alteração do fluxo do ciclo hidrológico. “Eventos intensos de chuvas têm sido mais comuns, ocasionando inundações de maior ordem, ao mesmo tempo em que a estação seca tem se prolongado, reduzindo a vazão em canais fluviais”, diz. Na opinião do professor, a água tem sido usada simultaneamente para o abastecimento público, em grandes projetos de irrigação, na produção de energia elétrica, o que muda a distribuição dentro do ano hidrológico.

Ainda conforme Luis Felipe, caso o cenário de oscilação climática se perpetue por um tempo maior, as implicações serão, de fato, redução da disponibilidade de água nos rios, prejudicando a integridade de todas as fitofisionomias do Cerrado em Goiás.

Irrigação

A agricultura irrigada é o setor que mais absorve volume de água demandada, o que varia de 2 a 12 vezes o volume para o abastecimento urbano e rural nas diversas regiões do País. O que torna o conflito mais agudo é o fato de que na época do ano em que o consumo para abastecimento e irrigação aumenta, a disponibilidade de água é menor. Nos últimos anos, houve o incremento da irrigação em todas as regiões hidrográficas, em geral, as taxas superiores ao incremento da área total plantada. Essa atividade foi a principal responsável pelo aumento de 29% da retirada total estimada para o País, entre 2006 e 2010. Nesse período, a vazão de retirada para irrigação aumentou de 47% para 54%.

De acordo com a edição 2013 do Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos, apresentada pela Agência Nacional de Águas (ANA), a vazão de água concedida em Goiás no intervalo de agosto de 2011 a julho de 2012, 49% foi destinada para a irrigação e 2% para o abastecimento público.

Consumo, estiagem e falta de chuva

O desperdício da população, somada com o aumento do consumo de água e energia nos últimos anos, além da estiagem e a falta de chuvas regulares no verão, assustam alguns especialistas.

Conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 40% do potencial hídrico no País é desperdiçado. Diferentes autoridades argumentam que se a conta de água fosse mais cara, o consumo seria mais racional. O preço da tarifa de água no Brasil é considerado baixo para os padrões internacionais. A Global Water Intelligence mostra que enquanto a tarifa média aqui está em torno de US$ 1,50 por metro cúbico, na Dinamarca, por exemplo, o valor é cinco vezes maior.

No Oriente Médio, a vegetação desértica e a falta de recursos hídricos fazem com que a água se torne tão valiosa quanto o petróleo. Contudo, a escassez fez com que os países desenvolvessem a mais alta tecnologia de dessalinização e tratamento de água. Em algumas regiões, por exemplo, quase toda a água tratada é reaproveitada para irrigação no deserto.

Reservatórios

O nível dos reservatórios das hidrelétricas no subsistema Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO), o principal do Brasil está em 19,54%, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), dados desta semana. A superintendente de Política e Programa de Pesquisa e Desenvolvimento de Goiás, Rosidalva Lopes, esclarece que a quantidade de chuva neste ano para o Estado de Goiás não foi suficiente para a agricultura e a energia. “Dentro da climatologia a chuva que caiu foi esperada, entretanto não chegou na hora certa porque houve um atraso. O que era esperado para dezembro e janeiro, só chegou em fevereiro e março”, informa.

Diante desta realidade, os especialistas asseguram que em Goiás é preciso investir na conscientização dos diversos usuários, setores público e privado, além da implementação dos comitês, formação das agências e fiscalização para que os goianos não corram o risco de perder sua riqueza, que é a água.

“Em curto prazo precisamos fazer o uso racional da água. É preciso saber utilizar, aproveitar esse recurso da maneira correta. Mesmo com a seca e a mídia divulgando o caso de São Paulo é fácil encontrar pessoas desperdiçando água. Já em médio e longo prazo, além de uma boa gestão que organize a demanda de água e os recursos é preciso recuperar nascentes, solos e matas para reverter a influência do homem no meio ambiente”, declara o gerente de apoio a sistema de gestão de recursos hídricos da Semarh.

“As nascentes destes córregos deixaram de existir, esse é o termo correto de usar. Para cada nascente existe um curso d’água, se essas nascentes sumiram da mesma forma desapareceram os cursos d’água o que influencia diretamente no nível de água dos córregos e rios”  (Marcos Correntino,vice-presidente do Comitê da Bacia do Meia Ponte).

Maria Planalto (Editoria de Cidades / Jornal Diário da Manhã)

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Mudanças climáticas já causam queda da produtividade agrícola no mundo

As mudanças climáticas têm causado alterações nas fases de reprodução e de desenvolvimento de diferentes culturas agrícolas, entre elas milho, trigo e café. E os impactos dessas alterações já se refletem na queda da produtividade no setor agrícola em países como Brasil e Estados Unidos.

A avaliação foi feita por pesquisadores participantes do Workshop on Impacts of Global Climate Change on Agriculture and Livestock , realizado no dia 27 de maio, no auditório da FAPESP.

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Promovido pelo Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, o objetivo do evento foi reunir pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos para compartilhar conhecimentos e experiências em pesquisas sobre o impactos das mudanças climáticas globais na agricultura e na pecuária.

“Sabemos há muito tempo que as mudanças climáticas terão impactos nas culturas agrícolas de forma direta e indireta”, disse Jerry Hatfield, diretor do Laboratório Nacional de Agricultura e Meio Ambiente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). “A questão é saber quais serão o impacto e a magnitude dessas mudanças nos diferentes países produtores agrícolas”, disse o pesquisador em sua palestra no evento.

De acordo com Hatfield, um dos principais impactos observados nos Estados Unidos é a queda na produtividade de culturas como o milho e o trigo. O país é o primeiro e o terceiro maior produtor mundial desses grãos, respectivamente. “A produção de trigo [nos Estados Unidos] não atinge mais grandes aumentos de safra como os obtidos entre as décadas de 1960 e 1980”, afirmou.

Uma das razões para a queda de produtividade dessa e de outras culturas agrícolas no mundo, na avaliação do pesquisador, é o aumento da temperatura durante a fase de crescimento e de polinização.

As plantas de trigo, soja, milho, arroz, algodão e tomate têm diferentes faixas de temperatura ideal para os períodos vegetativo – de germinação da semente até o crescimento da planta – e reprodutivo – iniciado a partir da floração e formação de sementes.

O milho, por exemplo, não tolera altas temperaturas na fase reprodutiva. Já a soja é mais tolerante a temperaturas elevadas nesse estágio, comparou Hatfield.

O que se observa em diferentes países, contudo, é um aumento da frequência de dias mais quentes, com temperatura até 5 ºC mais altas do que a média registrada em anos anteriores, justamente na fase de crescimento e de polinização.

“Observamos diversos casos de fracasso na polinização de arroz, trigo e milho em razão do aumento da temperatura nessa fase. E, se o aumento de temperatura ocorrer com déficit hídrico, o impacto pode ser exacerbado”, avaliou.

Segundo Hatfield, a temperatura noturna mínima tem aumentado mais do que a temperatura máxima à noite. A mudança causa impacto na respiração de plantas à noite e reduz sua capacidade de fotossíntese durante o dia, apontou.

Mudança climática dificultará acesso à água de grande parte do planeta

Menos água nas regiões secas, ainda mais inundações, fluxos de rios modificados, contaminação. O aquecimento global transformará radicalmente o mapa do acesso à água e acirrará as tensões em torno desse recurso vital.

O aquecimento previsto ao longo do século XXI e a pressão demográfica reduzirão a quantidade de água disponível tanto na superfície como nas camadas inferiores do solo na bacia do Mediterrâneo, na Península Arábica, na Ásia central e na Califórnia (EUA), ressaltam os especialistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) em seu relatório de março deste ano.

No norte de Europa, por outro lado, teme-se que haja maiores inundações em consequência de chuvas ainda mais intensas.

Seja por escassez ou por excesso de água, antecipar-se a estas mudanças é necessário, em um mundo com 800 milhões de pessoas sem acesso a fontes seguras de água potável.

Não se trata apenas de uma questão de quantidade. A variedade e a qualidade deste recurso também mudaria em um planeta mais quente, explicou à AFP Blanca Jiménez Cisneros, diretora da divisão de Ciências da Água da Unesco.

O derretimento acelerado das geleiras, por exemplo, pode provocar um aumento do volume dos rios, trazendo benefícios que durariam pouco tempo, na medida em que o manancial logo ficaria menos volumoso do que era antes do processo.

Um aumento da temperatura afetaria também a qualidade da água, pois favoreceria a multiplicação de plantas aquáticas, produtoras de toxinas difíceis de eliminar com tratamentos convencionais. E onde as chuvas se intensificarem, os centros de tratamento de água deverão eliminar uma quantidade maior de materiais contaminantes.

Outro efeito menos conhecido do aquecimento sobre a água: a salinização de áreas de água doce nos litorais e nas ilhas em razão do aumento do nível do mar. Em algumas regiões isso provocará a necessidade de uma dessalinização particularmente custosa.

Fator demográfico
Além das consequências apontadas pelos especialistas, a demanda por água potável pode crescer cerca de 55% até meados do século em virtude do crescimento demográfico e da atividade industrial, indicou um informe da ONU em março.

Em 2050, o planeta pode contar com 9,6 bilhões de habitantes, em comparação com os 7,2 bilhões atualmente.

O aquecimento será um fator de estímulo para a demanda. Uma central elétrica precisará de mais água para esfriar suas instalações e a população beberá mais e passará mais tempo no banho devido ao aumento da temperatura ambiente, explica Jiménez Cisneros.

A luta por água
Essas perspectivas colocam em primeiro plano a necessidade de adaptação.

Isso significa, antes de tudo, questionarmos nosso uso da água, promovendo tecnologias mais econômicas para os banheiros ou para lavar roupas, e pensando formas de reciclagem para determinados usos, como a irrigação, observam os especialistas.

Também será necessário em alguns casos construir diques e adaptar os códigos de construção.

“A noção de risco não deve ser menosprezada”, adverte o climatologista Hervé Le Treut.

“Quando os sismólogos dizem que há risco de tremores de terra, as pessoas geralmente aceitam e não constroem casas (no lugar); mas quando são mencionados riscos de seca ou inundações, há uma tendência de levá-los menos a sério, porque a meteorologia e a climatologia costumam estar mais associadas à ideia de previsão do que à ideia de risco”, acrescenta.

No entanto, o IPCC adverte em seu relatório que o tema da água é muito sensível e que algumas regiões correm risco de registrar uma “disputa” exacerbada entre usuários: agricultores, indústrias, setores energéticos, simples consumidores.

A competição pode provocar também tensões entre países, como já ocorre por exemplo entre Egito e Etiópia pelas águas do rio Nilo.

Falar de futuras “guerras pela água” seria exagerado, considera Richard Connor, especialista em água da Unisfera, um escritório de assessoria a governos e ONGs. Mas em alguns casos, reconhece, pode haver conflitos “em que a água seria a primeira causa, ainda que a princípio oculta”.

Trabalho SUPREMO, monitoramento de ruído e controle da qualidade das águas superficiais e subterrâneas.

MONITORAMENTO DE RUÍDO e CONTROLE DA QUALIDADE DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS E SUBTERRÂNEAS.
(Cliente: VOTORANTIM S.A.-Edealina).SUPREMO na Votorantim

Programa de Controle de Erosão, Assoreamento e Manejo do Solo da VOTORANTIM CIMENTOS S.A. – Edealina, realizado pela SUPREMO Ambiental.

Parabéns a todos Engenheiros Ambientais

“Temos 22 anos no Brasil e já somos 15.229 engenheiros ambientais registrados, onde lutamos pela defesa da nossa sociedade, pelo equilíbrio entre desenvolvimento e conservação ambiental, pela sustentabilidade ambiental, pelo nosso espaço no mercado e pelo reconhecimento de nossas atribuições profissionais, lutamos pelo respeito. ”

Eng Marcus Vinícius Presidente da ANEAM

DIA DO ENGENHEIRO AMBIENTAL

Segue matéria: http://aneam.org.br/index.php/noticias/internas/item/3354-engenheiro-ambiental,-parabéns-pelo-seu-dia

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Consciência SUPREMO

AGUASUPREMO